BLOG DE NOTÍCIAS DO MOVIMENTO ESPÍRITA.....ARAÇATUBA- SP

Atenção

"AS AFIRMAÇÕES, INFORMAÇÕES E PARECERES PUBLICADOS NESTE BLOG SÃO DE RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DE QUEM OS ELABOROU, ASSINA E OS REMETEU PARA PUBLICAÇÃO. FICA A CRITÉRIO DO RESPONSAVEL PELO BLOG A PUBLICAÇÃO OU NÃO DAS MATÉRIAS, COMENTÁRIOS OU INFORMAÇÕES ENCAMINHADOS."

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Focalizando o Trabalhador Espírita (138) Adriano Calsone


Adriano Calsone

Nossa entrevista deste sábado é com  Adriano Calsone,  trabalhador
espírita na cidade de São Caetano do Sul, SP, médium de psicografia
e de pintura. Com vocação para as artes plásticas, Adriano se apro-
fundou no tema  com profundidade   visando a publicação de um livro  
que abordasse a pintura mediúnica na visão espírita. Nesta conversa
com Adriano  buscamos saber sobre a utilidade da pintura obtida pela
via mediúnica, os  médiuns que  se   destacaram e vem se destacando
nesse gênero de  trabalho,  sobre  as  sessões  de  pintura  mediúnica,
sobre  venda  das  executadas  e a  posição dos  críticos     de arte em
relação à psicopictografia.


Adriano, pode nos fazer sua autoapresentaçao?

Me chamo Adriano Calsone, tenho 35 anos, sou casado e moro em São Caetano do Sul, SP. Venho de uma família de sensitivos: minha mãe e irmã são médiuns, porém, não são espíritas e também não desenvolveram suas mediunidades.
Em 2002 me tornei espiritista, e fui participar dos cursos de evangelização da Federação Espírita do Estado de São Paulo. Me vi como um médium depois de praticar uma “curiosidade” com a psicografia, constatando toda a realidade do mundo espiritual. Com sensibilidade às artes plásticas, em especial ao desenho, pintura e modelagem mediúnica, migrei da psicografia à Pintura Mediúnica com tintas e pastéis, surgindo, posteriormente, uma grande reciprocidade com o trabalho de servir como médium aos espíritos que desejavam pintar. Para complementar meus estudos doutrinários, participei como médium de pintura por um período de três anos nos trabalhos itinerantes do GEAM – Grupo Espírita de Arte Mediúnica – coordenado por Afonso Moreira Jr.

Qual a sua formação acadêmica e profissional?

Sou formado em Comunicação Social e exerci, por alguns anos, as profissões de editor e assessor de imprensa e, atualmente, trabalho com internet e cultura digital. Ainda em 2002, atuei como coordenador editorial das publicações da Rede Visão, editora que produziu também o Ampla Visão – programa televisivo sobre Espiritismo e Espiritualismo, apresentado na época por Alamar Régis Carvalho, na TV Gazeta.

A que casa espirita esta vinculado presentemente?

Atualmente, em minha cidade, frequento os trabalhos de desenvolvimento mediúnico do Grupo Espírita de Trabalho Misail*, onde também atuo como médium de pintura.

Quais os livros de sua autoria e de que tratam?

Estreio com o meu primeiro livro intitulado Pintura Mediúnica – A visão espírita em ampla pesquisa. Não é um livro mediúnico e sim, uma pesquisa espírita, inspirada pelos bons amigos. Porém, no quesito “mediunidade”, o trabalho traz algumas de minhas psicografias produzidas neste grupo espírita em que atuo, no contexto do assunto que me propus a pesquisar.

Com surgiu a ideia de escrever o livro sobre Pintura Mediúnica na visão espirita?

Esta pesquisa nasceu, primeiramente, por causa da minha própria necessidade de desvendar a mediunidade de pintura. Na primeira vez que trabalhei como médium de pintura, o meu corpo todo entrou numa espécie de choque, e aí o dirigente do GEAM, na época o Sr. Afonso Moreira Jr., me disse que havia uma fila de espíritos aguardando para pintar por meu intermédio. Como eu estava iniciando a minha mediunidade, desconfiei daquilo tudo e, a cada trabalho, minhas dúvidas não paravam de aumentar. Foi então que, por conta própria, comecei a pesquisar tal mediunidade: comprei todos os livros disponíveis que se aproximavam do tema (que na época não passavam de meia dúzia); fui buscar em Kardec, relatos sobre desenhos e pinturas mediúnicos; entrevistei médiuns in loco, etc. Quando me deparei, havia reunido um grande volume de informações, organizando-as posteriormente por meio de perguntas e respostas. Aí decidi compartilhar isso com as pessoas, principalmente com os médiuns de pintura, surgindo, assim, a ideia de um livro.
Definitivamente, eu insisti nessa ideia de fazer um livro depois de ter notado, nas diversas apresentações de Pintura Mediúnica as quais participei em São Paulo, que as plateias nos abordavam com frequência, questionando sobre os bastidores desse trabalho. Fui percebendo também que os médiuns de pintura, incluindo os iniciantes, como eu na época, literalmente “se fechavam” em dúvidas e auto-questionamentos. Entendi então que um livro sobre o tema seria uma confluência benéfica de ajuda para essas pessoas.

Faça-nos por favor uma sinopse do livro.

O nosso livro Pintura Mediúnica – A Visão Espírita em Ampla Pesquisa veio à lume após cinco anos de estudos sobre o tema. Nesse período, concluí que a maioria dos espíritas pouco sabem o que é e o que realmente representa a Pintura Mediúnica para o Espiritismo. Assim, esta obra traz o resultado de uma extensa pesquisa sobre a modalidade mediúnica da pintura, desvendando particularidades de um trabalho essencial como qualquer outro da mediunidade espírita.
E para facilitar o estudo sobre o tema, o livro foi estruturado por meio de 150 perguntas e respostas, tendo como base as diversas obras da Doutrina Espírita, dos tempos de Allan Kardec (1857), aos dias de hoje. O leitor também poderá conferir entrevistas e depoimentos exclusivos com médiuns de pintura, além de uma pesquisa de campo e um experimento científico.
Num tempo em que a Pintura Mediúnica ainda é vista pelos próprios espiritistas com preconceito e aversão – um verdadeiro tabu no meio espírita –, diante do pouco conhecimento e falta de informação sobre o assunto, esta pesquisa procura lançar uma semente na terra produtiva do Espiritismo, esperando que o leitor possa colher seus frutos e fartar-se sob a luz da razão e do discernimento, com o dever de semear outros grãos para uma futura colheita.

Pode nos falar sobre a utilidade da Pintura Mediúnica?

A Pintura Mediúnica tem algumas utilidades. Acredito que a mais importante é a sua ação espiritual por meio das cores. Sabemos que há instrutores espirituais responsáveis por um trabalho bastante definido no campo da terapêutica, com a finalidade, por exemplo, de realizar pintura específica a uma determinada pessoa. Isso, chamamos de “pintura direcionada”, onde o arranjo de cores na tela terá uma ação direta em quem a receberá. Não me refiro à cura física, mas, principalmente, ao reequilíbrio mental deste indivíduo, pela influência direta da cromoterapia, bastante acessível num trabalho artístico de pintura.
Outra utilização se volta aos próprios espíritos. Amigos artistas que desencarnam em situações lastimáveis, os que abusaram de seus dons artísticos, assim que tomam consciência de seus atos na espiritualidade, necessitam desses grupos de médiuns de pintura para se recomporem e, consequentemente, precisam trabalhar com as pinturas mediúnicas para experienciarem uma renovação educacional no campo moral, ético e disciplinar, além de que as trocas energéticas com esses médiuns, – por meio do fluido animalizado desses últimos –, ajudam tais espíritos no refazimento perispiritual, aos que, assim, se faça necessário.
Por fim, uma Pintura Mediúnica quando afixada, indubitavelmente, proporciona harmonização no ambiente, além de positivar os espaços com temáticas espirituais.

Cite-nos os principais médiuns de pintura mediúnica brasileiros e estrangeiros nas variadas épocas.

Vou me deter aqui, apenas aos médiuns brasileiros que fizeram história no decorrer do século 20:
Na década de 1930, a médium Dinorah Azevedo de Simas Enéas (1888-1973), praticamente apresentou a Pintura Mediúnica aos brasileiros, e fez história ao lado de Chico Xavier. Ela simplesmente levou a Chico, os retratos mediúnicos dos abnegados benfeitores espirituais Emmanuel e André Luiz, a qual o profícuo médium de Uberaba, os atestou de bate-pronto, afirmando-a que eram assim que as duas entidades apareciam em sua vidência.
Outros médiuns ilustres tiveram fases importantes na Pintura Mediúnica, como exemplo: Francisco Peixoto Lins (1905-1966), o nosso querido médium de efeitos físicos “Peixotinho”. O espírito Tongo foi aquele que, comumente, desenhava por seu intermédio. Nesses trabalhos, frente à uma mediunidade puramente mecânica, a precisão que o espírito desenhista exigia do médium era tamanha, no sentido de retratar as entidades com a maior semelhança possível. Muitas pessoas que acompanharam os trabalhos mediúnicos de Peixotinho acabaram, desse modo, conhecendo os seus próprios guias espirituais, pelos retratos que eram feitos nas reuniões.
Outro grande medianeiro que contribuiu para a história brasileira da Pintura Mediúnica, inestimável médium de efeitos físicos, foi Carmine Mirabelli (1888-1951). De fato, segundo o livro do genial L. Palhano Junior (Mirabelli – um médium extraordinário), espíritos afeitos às artes da pintura começaram a se aproximar do médium e o influenciam quase que diariamente. Produziram as mais lindas pinturas a óleo, a crayon e, também, aquarelas. Em apenas dois meses, Mirabelli viu à sua frente mais de 46 telas mediúnicas, sem nunca antes ter tocado em um pincel ou giz.
Todavia, indiscutivelmente, o médium que adentrou com a Pintura Mediúnica em nossas casas foi Luiz Antonio Gasparetto. Nas décadas de 1970 e 80, Gasparetto levou e elevou a Pintura Mediúnica a um patamar ainda mais alto, em termos de entendimento e divulgação populares. Para espanto geral, ele mostrou, na prática, como se pinta com os espíritos, exibindo suas apresentações mediúnicas de pintura por meio de vários canais da TV brasileira, inclusive em TV´s internacionais, como a BBC de Londres, além de sua mediunidade psicopictográfica servir como experimento a vários cientistas europeus da época.
Já os médiuns de pintura estrangeiros, para citar alguns: Margaret Bevan, em Londres, pintava retratos de pessoas falecidas e desconhecidas; em noventa por cento dos casos há correspondência desses retratos com fotografias de pessoas reais, falecidas.
Na Itália, temos casos similares a este como o de Iric Canti, em Milão, e Maria Lambertini, Bolonha, bem como o agente Raphael Schermann.
O operário quase analfabeto Augustin Lesage realizava pinturas extraordinárias.
Elisa Muller (mais conhecida como Helena Smith) realizou pinturas sobre possíveis habitantes de Marte, executando suas obras também com os dedos e unhas.
Victor Spencer pintava seus quadros ao avesso e os endireitava apenas ao final.
O polonês Marjan Gruzewski realizou, em cinco minutos e na ausência de luz, o seu primeiro desenho. Desde menino foi julgado inapto a receber instruções porque pintava por conta própria, alheio às instruções dos mestres. Com o curtidor de pele Machner também aconteceu o mesmo.
O italiano Franco Lowley desenhava com velocidade fulminante a partir de 1913, gastando de vinte segundos a um minuto e meio para executar suas obras. Mesmo de olhos vendados, ou na escuridão, desenhava perfeitamente e chegou a produzir pinturas precognitivas (como a guerra da Abissínia e o bombardeio de Roma).
Victorien Sardou, dramaturgo francês, realizou pinturas sob transe psicautônomo.
Em 1953, Talamonti observou o menino Gianinni Cavalcoli, de Ravena, com seis anos, produzir desenhos com velocidade vertiginosa. Em três anos, produziu vinte mil obras.
David Duguid e John Ballou Newbrough psicopictografavam no escuro, e este também o fazia com as duas mãos simultaneamente. Outros psicopictógrafos famosos no exterior foram William Howit e Catherine Berry.

Quem você destacaria atualmente? 

A minha opinião será limitada, já que conheço, pessoalmente, pouquíssimos trabalhos desses médiuns contemporâneos, ditos famosos. No período de minha pesquisa para o livro, tive uma dificuldade enorme de conversar, e entrevistar alguns desses médiuns ilustres. Inclusive, na época, um determinado médium famoso viu o meu trabalho de pesquisa com bastante "desconfiança" e, sequer, me prontificou uma resposta, que a aguardo até hoje.  
Tive a oportunidade de ver algumas Pinturas Mediúnicas realizadas, em estúdio, pelo médium baiano José Medrado, e me pareceram bastante sérias. Os trabalhos das médiuns Valdelice Salum e Maria Gertrudes também me deixaram boas impressões, e temos vários depoimentos dessas grandes médiuns em nosso livro.
Inclusive, nesse último domingo, 15 de abril, tive o prazer de conhecer a Marilusa Moreira Vasconcellos, que a gente sabe que é uma das maiores médiuns de pintura da atualidade. Ela é uma pessoa muito simpática, me contou várias histórias intrigantes sobre o seu trabalho como médium de pintura. Sem dúvidas, posso dizer: é uma pessoa que tem muito a nos acrescentar sobre esta mediunidade.
Outros médiuns psicopictógrafos "de expressão", com os quais tive a oportunidade de conversar rapidamente pelo Facebook, foram o carioca Lívio Barbosa e Florêncio Anton. Mas tenho certeza que há muitos outros bons médiuns que preferem o anonimato, fazendo um excelente trabalho sem a necessidade das grandes plateias e holofotes espíritas.

A bíblia tem precedentes sobre o assunto?

A Bíblia não foi objeto de minha pesquisa, portanto, não tenho como afirmar se há evidências nela de médiuns que desenhavam ou pintavam por meio dos espíritos. Acredito que, entre os responsáveis pelas escrituras sagradas, que nada mais eram que “médiuns”, pode ter havido os que ilustravam tais passagens com desenhos e pinturas, mesmo sem saberem que estavam sendo influenciados por entidades espirituais.

Onde podemos encontrar referencias na obra Kardequiana e qual a visão do codificador a respeito?

Talvez a referência mais direta sobre esta modalidade mediúnica está em O Livro dos Médiuns, “Cap. XVI – Médiuns Especiais”, descrita por Allan Kardec como “Médiuns pintores ou desenhistas - Os que pintam ou desenham sob a influência dos Espíritos”.
Dessa forma, concluímos que a psicopictografia, ou se preferirem, a psicopictura, não é um modismo dos nossos dias. Como visto, a codificação e prática consciente dessa mediunidade vem dos tempos de Kardec, lá do século 19. Sem dúvidas, Allan Kardec foi um grande admirador e patrono das artes espíritas. Inclusive, ele idealizou o “Museu do Espiritismo”, onde lá seriam reunidas obras das artes espírita e mediúnica, mas o seu desencarne engavetou o grande projeto.
Na histórica viagem espírita que fez, em 1862, a qual visitou diversas cidades do interior da França, em sua primeira viagem a serviço do Espiritismo, ele obteve conhecimento da existência de vários médiuns psicopictógrafos, alguns até chegaram a procurá-lo para relatar suas experiências. Assim, ele foi catalogando na Revista Espírita esses relatos e encontros com tais médiuns de desenho e pintura. E muitos desses depoimentos do próprio Codificador estão publicados em nosso livro. Não é por acaso que a sua sensibilidade e gosto pelas artes do desenho e pintura eram tão apurados. A sua esposa, a doce Gaby – Amélie Gabrielle Boudet (1795-1883) era professora de artes. Culta e inteligente, chegou a dar à luz três obras artísticas: Contos Primaveris (1825); Noções de Desenho(1826) e, O Essencial em Belas Artes (1828).

Há pinturas divulgadas por Kardec?

Talvez o registro mais evidente e memorável que Allan Kardec publicou sobre o desenho mediúnico foi o da Cepa (ramo de parreira), expressada no capítulo Prolegômeros em O Livro dos Espíritos. Vejamos as recomendações dos Espíritos para Allan Kardec:
— Colocará no cabeçalho deste livro a cepa que te desenhamos. Ela é o emblema do trabalho do Criador. Aí estão reunidos todos os princípios materiais que representam melhor o corpo e o Espírito.
O corpo é a cepa; o Espírito é o licor; a alma ou Espírito ligado à matéria é o bago. O homem purifica o Espírito pelo trabalho e tu sabes que só mediante o trabalho do corpo o Espírito conquista conhecimentos.
São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luís, O Espírito da Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenborg, etc.

Como está enxergando as sessões de Pintura Mediúnica nas casas espíritas?

Penso que, para o médium, a função primeira da Pintura Mediúnica seja o seu desenvolvimento mediúnico. Infelizmente, muitas pessoas acreditam que este trabalho é dependente de apresentações públicas para se justificar e, consequentemente, fica no ar aquela obrigação de vender as obras, e o que se vai fazer com o dinheiro arrecadado etc. De outro lado, muitos dirigentes de casas espíritas, – críticos ferrenhos da fenomenologia dessa mediunidade –, e de seu resultado estético, ao crivo exclusivo do gosto particular, se esquecem de que a Pintura Mediúnica é um excelente meio de inclusão, principalmente na iniciação da mediunidade em jovens, como, por exemplo, os das mocidades espíritas. Mas esses preferem ocultá-la, a inaugurar em suas casas espíritas, um curso de desenvolvimento mediúnico em pintura. Já ouvi também relatos absurdos de “espíritas” que acreditam mesmo que os médiuns de pintura são trabalhadores obsidiados quando, na verdade, falta para esses confrades, mais bom-senso e estudo. Como diz um amigo meu: "Quem não estuda, esturra!"
O nosso livro vem no sentido também de incentivar os dirigentes a criarem, nas suas casas espíritas, cursos de desenvolvimento mediúnico na pintura, que podem ser num formato de estudo às portas fechadas, sem a dependência das apresentações públicas ou retornos financeiros, assim como existe gratuitamente há anos, e com grande sucesso, o “Curso de Treinamento em Psicopictografia” da Federação Espírita de São Paulo, por exemplo.
Quando nós espíritas nos propusermos às mudanças de comportamento e mentalidade sobre o assunto, acredito que haverá mais diálogo e aproximação, até entre os próprios médiuns de pintura, no objetivo comum da conjugação de ideias e ideais. Quem sabe num futuro próximo não seja possível realizar até um Simpósio Nacional de Médiuns de Pintura? É possível! Já começamos a plantar aqui as sementinhas.
Mas não podemos negligenciar essa atual realidade, onde as incompreensões sobre o tema estão bastante disseminadas. Não há como negar que essa modalidade mediúnica ainda é a "prima pobre" do movimento espírita brasileiro. 

Temos ouvido criticas sobre os leilões e a venda de quadros sempre tendo uma instituição beneficente como pano de fundo. Como enxerga isto? É esta a finalidade da pintura?

Não, esta não é a finalidade da Pintura Mediúnica. Particularmente, não sou a favor dos leilões de obras mediúnicas, por vários motivos, o principal, pelos altos valores que os médiuns estão exigindo nas pinturas. A gente sabe que existem medianeiros que já pintaram, por meio dos espíritos, mais de 15 mil telas em pouquíssimos anos. Se em cada uma de suas apresentações públicas, por exemplo, esses médiuns aderiram ao formato do leilão, e resolveram iniciar um lance mínimo de 300 reais por uma tela, é logico acreditar que eles estão ricos, mesmo doando parte da renda para a casa espírita que visitam, ou mesmo separando-a para os gastos que tiveram com o material de pintura.
Enfim, em nossa humilde opinião, o leilão é bastante ostensivo e, infelizmente hoje, os altos valores praticados em telas mediúnicas carregam, muitas vezes, o pretexto da beneficência espírita, quando, na prática, muitas vezes, isso pouco ocorre, e quando de fato acontece, é um tipo de doação parcial carregada de justificativas particulares. O que é um pesar!
Enfim, uma das bandeiras que levantamos em nosso livro, é a do bom senso na utilização desta mediunidade, também para o estudo e aprimoramento mediúnicos, mesmo que for a reuniões fechadas, sem envolver dinheiro algum.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo que trata sobre “Mediunidade Gratuita”, os Espíritos nos esclarecem que “a mediunidade é uma coisa santa que sempre deve ser praticada santamente, religiosamente. Todos aqueles, pois, que não tem do que viver, que procure recursos em outra parte do que na mediunidade. Que não consagre a ela, se necessário for, senão o tempo de que possa dispor materialmente. Os Espíritos se afastarão daqueles que esperam fazer deles um meio para subir. Em contrapartida, lhes terão em conta o devotamento e seus sacrifícios”.
Já Emmanuel, no livro O Consolador, psicografado por Francisco Cândido Xavier, lembra que “quando um médium decide transformar suas faculdades em fonte de renda material, será bem melhor esquecer suas possibilidades psíquicas e deixar de se aventurar pelo terreno delicado dos estudos espirituais. A remuneração financeira, no trato das questões profundas da alma, estabelece comércio criminoso, em que o médium deverá esperar no futuro os resgates mais dolorosos”.
É evidente que as apresentações públicas devam prosseguir, todavia, nós espíritas, precisamos repensar a maneira como estamos conduzindo e lidando com tal mediunidade, frente a um tipo de comércio que nos apresenta desenfreado.

Quais os melhores trabalhos mediúnicos que você pesquisou?

Não digo os melhores, mas talvez o mais intrigante e sensacional de todos os tempos são os trabalhos autenticamente mediúnicos do operário francês, quase analfabeto, Augustin Lesage (1876-1954). Jorge Rizzini e sua esposa Iracema Sapucaia tiveram a honra de traduzir o livro O fantástico Lesage, de Marie-Cristine Vitor, pesquisa a qual muito me impressionou.
Na França, Rizzini e Iracema contemplaram pessoalmente quadros apoteóticos — de beleza irrepetível! — que os Espíritos produziram através desse fantástico e humilde médium Augustin Lesage. Sob o comando de seus guias espirituais, entre os quais Leonardo Da Vinci, sujeitava-se a todo tipo de prova. Pintou em estilo egípcio no Instituto Metapsíquico Internacional, em Paris, sob o controle do cientista E’ugene Osty, presidente da instituição. Uma das telas media dois metros de altura por um e meio de largura. O médium, em transe, colocou na tela milhares de miniaturas pintadas a óleo que só podiam ser bem analisadas através de uma lupa. Lesage, como observou um de seus críticos, pintava rapidamente “como se fosse uma máquina, com precisão, sem intermitência”. Presenciou o fenô­meno, entre outros, Charles Richet (detentor do Prêmio Nobel) e o físico inglês Sir Oliver Lodge (da Sociedade Real da Inglaterra).

Qual a opinião de artistas e críticos sobre as pinturas mediúnicas?

Em primeiro lugar, é muito difícil artistas e críticos de arte (não-espíritas), admitirem a presença do espiritual na arte, porque, infelizmente, muitos deles são materialistas e até ateus. A bem da verdade, pouquíssimos deles admitem que exista a espiritualidade. Quando o pintor e escritor russo Wassily Kandinsky, que não era espírita, lançou, em 1911, o célebre Do Espiritual na Arte, estudo que trouxe grande relação com o Espiritismo por lançar ideias espiritualistas sobre a Arte, ele foi vilipendiado por críticos, e pelos seus próprios amigos pintores da época.
Hoje, quando um pintor ou um crítico de arte é convidado para avaliar uma Pintura Mediúnica, eles logo dizem que a composição está longe de ser autêntica porque, além de malfeita e realizada às pressas, não é possível que se admita, para eles, que um espírito (do além), dito famoso, colaborou com o médium na realização da tela.
E para piorar de vez esta relação, o médium assina a pintura com um pomposo “Monet”, ou mesmo com um contundente “Van Gogh”, que muitas vezes toma quase metade da tela, sob o pretexto de que foi o próprio espírito pintor que desejou assim firmá-la. Em verdade, poucos são os médiuns que admitem que a assinatura partiu da vontade deles próprios, e não dos Espíritos. É fato que essas assinaturas em telas mediúnicas, na maioria das vezes, não são dos Espíritos famosos que as firmam, além delas muito instigarem a vaidade nos médiuns. Todavia, para não configurar falsas identidades, sugerimos que os médiuns não assinem as telas mediúnicas.
Sabemos que os ditos “pintores famosos” podem até se manifestar, mas não fazem questão alguma de deixar suas firmas. Lembrando também que muitos desses grandes mestres já reencarnaram.
O que frequentemente ocorre nessas apresentações, ou em reuniões fechadas, é a presença espiritual de grupos de pintores, muitos deles, espíritos estudantes/aprendizes de determinadas escolas artísticas, com as quais se propuseram a trabalhar na espiritualidade. Esses pintores astrais, acompanhados por instrutores, se apresentam em reuniões sérias para deixarem nas Pinturas Mediúnicas, e também nos médiuns, suas “impressões artísticas”, que podem estar na linha cubista, expressionista, impressionista, abstrata, ou numa escola completamente estranha, que não exista na Terra, por exemplo. Enfim, está mais do que na hora de nós médiuns assumirmos as responsabilidades deste trabalho!

Algo mais que queira acrescentar?

Um colega me perguntou esses dias se eu já conseguia imaginar como o nosso livro seria recebido pelos espíritas. Eu lhe disse que esperava que o recebessem sem preconceitos, com “olhos livres”, assim como acredito que os não-espíritas irão recebê-lo. E se nós não acreditássemos na seriedade dos mecanismos desta mediunidade, regidos pelo plano espiritual, há tempos já teríamos arriado a bandeira em defesa dessa causa. Acreditamos sim, que ainda é preciso arejar opiniões e repensar sinceramente esses velhos tabus criados pelos próprios espíritas. Enfim, o preconceito e a desinformação são grandes índices que evidenciam a necessidade de mais compreensão daquilo que conhecemos superficialmente.

As suas despedidas dos nossos leitores

É péssimo saber que ainda estamos muito longe de um ideal de discernimento deste trabalho, entre nós espiritistas, principalmente quando se dá a cara para bater, vivendo na pele, a experiência de ser um médium de pintura, como é o meu caso. Mas só o fato de termos a oportunidade, como nesta entrevista, de falar desses paradigmas e preconceitos, e comentá-los também nas casas espíritas, já configura um tipo de abertura ao bate-papo fraterno. É um sinal também de que essas monoideias têm o seu prazo de validade.
Quero deixar claro ao leitor que os nossos depoimentos aqui não tiveram como objetivo o de criar conceitos a serem seguidos, pois sabemos que as vivências mediúnicas nunca são iguais, muito menos estabelecer o que é certo ou o que está errado neste trabalho. O nosso propósito, inclusive com o livro, é o de abrir espaço para discussões, permutar ideias, reunir conhecimentos e, sobretudo, incentivar o desenvolvimento desta mediunidade nas casas espíritas, para que possamos melhor trabalhar e compreender os seus mecanismos.
Grato pela oportunidade! Fale com o autor, ou adquira o nosso livro pelo e-mail: pintura-mediunica@live.com.

Livro “Pintura Mediúnica - A Visão Espírita em Ampla Pesquisa”, de Adriano Calsone. Parte da renda obtida com a venda de nosso livro, será revertida ao Grupo Espírita de Trabalho Misail, a qual participo.

Adriano no evento de lançamento do livro, com o apoio cultural da Prefeitura de São Caetano do Sul.

Com seus familiares: da esquerda para a direita, Adriano, sogros Célia e Deilon, e tia Cilmara.

Com sua mãe, dona Fátima. A Pintura Mediúnica, (à direita), foi realizada por meio da médium Márcia Bonesso.

Grupo Espírita de Trabalho Misail. Mais informações pelo site: http://getm.org.br/.
A Cepa, desenhada pelos Espíritos a Kardec, se encontra no Prolegômenos de “O Livro dos Espíritos”. Um dos primeiros desenhos mediúnicos publicados na obra da Codificação.

Lesage pintando mediunizado.

O médium Carmine Mirabelli em levitação. Ele teve interessantes experiências com a Pintura Mediúnica.

“Peixotinho” também contribuiu como médium de pintura.

Principal responsável pelo entendimento e divulgação
da Pintura Mediúnica nos anos 1970 e 80.

Livro “Do Espiritual na Arte”
Wassily Kandinsky
Livro “O Fantástico Lesage”, um dos maiores médiuns de pintura de todos os tempos.


Médium: Adriano Calsone


Nos detalhes: o que aparentemente parecem borrões são, na verdade,
retratos (de costas) de entidades que tocam fogo em árvores.
Talvez, um protesto dos Espíritos contra o atual desmatamento em nosso País?
As “impressões” são mais importantes que as “assinaturas”. Não há a necessidade de saber qual o Espírito que a pintou.
Médium Adriano Calsone

Telas pintadas por meio dos médiuns do Grupo Espírita de Trabalho Misail. As Pinturas Mediúnicas do Grupo
não recebem assinaturas. Muitas vezes, o emprego de cores específicas é mais importante que a figuração em si.
Médium Adriano Calsone


No Grupo Espírita de Trabalho Misail não só telas mediúnicas são pintadas, mas também livros.
Todos são trocados por alimentos, revertidos às pessoas carentes que procuram as frentes assistenciais do Grupo.
Médium Adriano Calsone

Trabalhos de Modelagem Mediúnica (Esculturografias),
que foram realizados em reuniões fechadas de desenvolvimento mediúnico,
no Grupo Espírita de Trabalho Misail.
Médium: Adriano Calsone


Infelizmente, a Modelagem Mediúnica é um trabalho pouco conhecido e realizado no meio espírita. Considerada também uma das modalidades mediúnicas da Arte Espírita.
Médium Adriano Calsone


Pintura mediúnica por Adriano Calsone

5 comentários:

José Edmar disse...

Muito interessante e informativa a entrevista. Mas o entrevistado confundiu-se ao dizer que Peixotinho foi também médium psicopictógrafo e que, através de uma mediunidade puramente mecânica, o espírito Tongo desenhava por seu intermédio. Este espírito, que vivera no Japão e fora consumado artista, realizava as pinturas *materializado*, ou seja, o fenômeno em foco é o da chamada "materialização", e Peixotinho atuou como médium de efeitos físicos, o que sempre fora. O caso talvez seja único no gênero: o espírito deixou registrado em pinturas sua permanência enquanto materializado.

Adriano Calsone disse...

Desde já, fico feliz pelo confrade José Edmar ter achado a nossa entrevista interessante e informativa. Em resposta às suas observações, primeiramente, não dissemos na entrevista "que Peixotinho foi também médium psicopictógrafo", como o mesmo registrou. O que corrobora a minha fala nesse sentido, consta no excelente livro:
"Dossiê Peixotinho - Francisco Peixoto Lins: uma biografia do mais famoso médium de materializações de espíritos do Brasil, obra do inesquecível pesquisador Lamartine Palhano Júnior".

O que disse, baseado nesta obra magnífica, é que ele está enquadrado na categoria de médiuns que teve "fases importantes na Pintura Mediúnica". Foi um período, apenas.

Não há dúvidas que Peixotinho fora médium de materialização, todavia, consultando a literatura citada acima, realmente me equivoquei, ao dizer que, nesses trabalhos, ele atuava frente à uma "mediunidade puramente mecânica". De fato, como afirma o confrade, o espírito Tongo se materializava, deixando registrado em pinturas a sua permanência (materializado). Assim, me desculpo por este lapso, agradecendo o amigo José Edmar pela pontuação.

José Edmar disse...

Primeiro ponto: Dizendo que Peixotinho está enquadrado na categoria de médiuns que tiveram "fases importantes na Pintura Mediúnica", o entrevistado está simplesmente afirmando "que Peixotinho foi também médium psicopictógrafo", ainda que apenas por um período. Coisa óbvia, evidente.

Segundo ponto: Isto, que Peixotinho passara uma fase atuando na pintura mediúnica, NÃO encontra respaldo na obra citada (a qual possuo e que tornei a reler justamente para verificar este ponto). Lembremos que, na pintura mediúnica (pictografia), é através do próprio corpo físico do médium que os Espíritos realizam os desenhos, modalidade mediúnica que, ao que me consta, nunca fora exercida por Peixotinho.

Adriano Calsone disse...

Prezado José Edmar, me responda uma coisa: Por que você não revela a sua identidade para as pessoas?; Deixa-nos ver a sua imagem, sua filiação?; Explique-nos a sua grande "mágoa espírita"?; Diga para nós de qual casa espírita você vem ou veio? Enfim, se é mesmo espírita?; E qual é o seu verdadeiro trabalho de contribuição para a Doutrina? Você existe? Não adianta dizer para todo mundo que você "quer ficar na tua", escondido, soltando petardos. O trabalhador espírita que prefere o anonimato esconde o coração numa caixa de pedra... Saia das entrelinhas, do obscurantismo dessa mágoa (que você nutre por vários confrades), - aos quais oram por você -, e efetivamente apareça como homem construtivo, humilde. Revele a sua identidade secreta para Jesus, e faça do seu trabalho crítico de "pontuação doutrinária" uma verdadeira ferramenta de construção, e não de desarmonia, numa linha tênue de vingança surda. Fiquei sabendo que muitos confrades espíritas lamentam a utilização do seu intelecto para a ironia, a desunião, a desavença... Revele a sua identidade misteriosa para nós, então?... Você já vem percebendo que quem se esconde não merece atenção, nem respeito!

Ismael Gobbo disse...

"Esta sessão do blog “Focalizando o Trabalhador Espírita” tem por objetivo conhecer o trabalhador nas atividades que desenvolve no movimento espírita. Na presente entrevista nosso
confrade Adriano Calsone gentilmente nos permitiu conhecê-lo e ao seu trabalho. Recebemos comentários do Sr. José Edmar, igualmente publicados, fazendo alguns questionamentos de
conteúdo da entrevista. De sua parte o entrevistado deu as suas respostas às dúvidas suscitadas o que publicamos. De nossa parte entendemos que pela entrevista e pelos comentários o
leitor tem por si mesmo como encontrar caminhos para o perfeito entendimento da questão. Assim sendo agradecemos a atenciosa colaboração de ambos e, pelo menos no Blog,
pedimos vênia para dar por encerrada a presente discussão.

Ismael Gobbo"